Missão

Conservatório EMMA

A música, quer seja apreciada ou praticada, possui um valor estético inerente, bem como um valor funcional. Uma possível abordagem para compreender a função da educação musical é vê-la como uma forma de educação estética, onde se contemplam obras musicais como símbolos ou conjuntos de símbolos que proporcionam uma visão abrangente das emoções humanas. No entanto, a atividade musical também pode contribuir para uma forma única de pensamento crítico e de conhecimento, sendo valiosa para todas as crianças. Ao tocar ou cantar, refletimos sobre a maneira como o fazemos e reagimos durante a execução. Portanto, saber fazer, pensar criticamente, agir e corrigir, estão intrinsecamente ligados. Em vez de expressar verbalmente seu conhecimento, um músico executa o conhecimento. É conhecimento incorporado, sendo que apesar de ser percetível superficialmente pelo público de uma forma geral, é acessível integralmente apenas aos executantes, destacando-se a importância de incluir a dimensão performática na educação musical.

Diversos estudos atuais evidenciam que as crianças que beneficiaram de vários anos de instrução musical apresentaram consistentemente resultados mais elevados em testes de raciocínio espaciotemporal. A diferença é mais notória nas crianças que iniciaram a aprendizagem musical mais precocemente. Existe também uma ligação, ainda que ténue, entre as competências musicais (discernimento de ritmo e alturas do sons) e a literacia, sobretudo no que diz respeito à leitura. O início da educação musical por volta dos seis anos provoca alterações na estrutura cerebral, uma vez que a plasticidade é maior nesta faixa etária. A pesquisa aponta que, para usufruir dos benefícios ao máximo, o início da educação musical não deve ultrapassar os nove anos, sendo preferencialmente por volta dos seis anos, ou mesmo antes. Adicionalmente, a prática confirma que os músicos interpretes mais competentes geralmente iniciam os seus estudos em idade muito jovem e continuam ativos praticamente até que o seu estado psicofísico o permita. A profissão musical destaca-se como um dos exemplos mais notáveis de aprendizagem ao longo da vida, um tema contínuo e fascinante.

A aprendizagem de música, à semelhança de qualquer atividade humana, só tem a beneficiar de uma estrutura coerente, contínua e integrada, como a existente nos planos curriculares de um Conservatório e outras instituições similares. A educação musical deve ser compreendida como um processo contínuo, do qual a educação pré-escolar e a educação básica são fases importantes. A educação musical bem estruturada nesses níveis conduz a competências mais elevadas em técnica e performance, contribuindo para uma maior qualidade no desempenho musical. Os alunos beneficiam de uma preparação mais sólida que advêm de um currículo bem estruturado e contínuo, focado no ensino básico mas ponderado em estreita ligação com os critérios do ensino superior. A educação artística de nível pré-universitário proporciona benefícios significativos para os jovens, mesmo aqueles que não aspiram a se tornarem músicos profissionais, contribuindo para o desenvolvimento do entendimento e participação na vivência da música, arte e cultura em geral, promovendo competências criativas, pessoais e interpessoais. Além disso, oferece coesão social e compreensão intercultural, qualidades essenciais numa Europa construída sobre a diversidade cultural e o diálogo intercultural.

A nossa missão enquanto Conservatório oficial é a de ministrarmos o curso de Iniciação à Música no Ensino Básico 1.º ciclo a crianças desde os 6 anos de idade, e o Curso Básico de Música 2.º e 3.º ciclo em regime articulado e supletivo, bem como o Curso Livre de Música com os mesmos moldes avaliativos e conferência de grau. Adicionalmente pretendemos contribuir para a sociedade de forma positiva e marcante, colaborando no esforço para a diminuição do abandono escolar, apoiando a comunidade estudantil, intervindo em articulação com as escolas e em colaboração com as instituições e as famílias.